Não procure uma máquina. Procure o tratamento certo para si.


Na Medicina Estética, uma das perguntas mais frequentes é: “Qual é o melhor tratamento?” A resposta raramente está no nome de uma marca, de uma máquina ou no procedimento que resultou bem com outra pessoa. Está, antes de tudo, numa avaliação médica individualizada. Nos tratamentos minimamente invasivos, como a toxina botulínica ou o ácido hialurónico, a escolha do produto é determinante. Importam a qualidade, as características específicas da formulação e, no caso dos preenchedores, propriedades como a consistência, a elasticidade, a coesividade e o comportamento do produto nos diferentes planos anatómicos. Não existe, por isso, um ácido hialurónico ideal para todas as regiões ou para todos os rostos. O produto deve adaptar-se à anatomia — e nunca a anatomia ao produto. O objetivo deverá ser preservar identidade, proporção, movimento e expressão. Uma intervenção bem planeada não deve transformar um rosto noutro rosto: deve corrigir, harmonizar ou recuperar aquilo que o tempo foi alterando, mantendo a naturalidade de quem temos à nossa frente.  
E quando falamos de máquinas, a marca não é o mais importante

Existe atualmente uma enorme procura por dispositivos específicos, muitas vezes porque determinado nome se tornou conhecido nas redes sociais ou porque alguém próximo realizou aquele tratamento. Mas, do ponto de vista médico, é mais importante compreender que tecnologia e que energia estão por detrás do dispositivo. Radiofrequência, ultrassons, ultrassons micro ou macrofocados, laser, correntes galvânicas ou diferentes formas de energia eletromagnética têm mecanismos, profundidades de atuação e objetivos distintos. Dependendo da tecnologia, parâmetros como frequência, potência, fluência, comprimento de onda, duração do impulso, profundidade e modo de entrega da energia podem modificar significativamente a interação com os tecidos. Por isso, mais importante do que perguntar “Que máquina vão utilizar?” é perguntar: Que energia vai ser utilizada, em que tecido, com que parâmetros, para produzir que efeito e com que objetivo clínico? As empresas que desenvolvem estes dispositivos estabelecem protocolos de utilização e parâmetros de segurança fundamentais. Mas um protocolo padronizado não substitui o raciocínio clínico. É a avaliação médica que permite perceber se determinada tecnologia faz sentido para aquela pessoa, naquele momento e para aquele objetivo.  
O tratamento do amigo pode não ser o seu tratamento

Dois rostos com a mesma idade podem apresentar necessidades completamente diferentes. Qualidade e espessura da pele, distribuição de gordura, estrutura óssea, musculatura, flacidez, exposição solar, metabolismo, hábitos de vida e processo individual de envelhecimento não são iguais. É precisamente por isso que chegar a uma consulta à procura da máquina que alguém fez ou do tratamento que viu nas redes sociais pode ser começar a decisão pelo lado errado.  
Primeiro diagnostica-se. Depois trata-se.

A avaliação clínica deve identificar necessidades, definir objetivos realistas e só depois determinar a estratégia terapêutica. E essa estratégia raramente depende de uma única intervenção. Os resultados mais naturais podem exigir uma combinação cuidadosamente planeada de tratamentos minimamente invasivos, tecnologias não invasivas e, quando indicado, cirurgia, integrada com outras áreas capazes de influenciar a qualidade dos tecidos e o envelhecimento, como Nutrição, Medicina Geral e Familiar, exercício e Medicina da Longevidade. Porque Medicina Estética não deveria significar simplesmente aplicar um produto ou utilizar uma máquina. Deveria significar saber o que tratar, porquê, quando, onde e com que tecnologia, respeitando sempre a anatomia, a fisiologia e, sobretudo, a identidade de cada pessoa. A melhor tecnologia não é necessariamente a mais conhecida. É aquela que, depois de uma avaliação médica adequada, faz sentido para aquele doente.
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